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39,1% dos adolescentes em Alagoas iniciaram vida sexual antes dos 13 anos

PeNSE mostra uso parcial de preservativo e lacunas em orientação escolar
Por Adja Alvorável 28/03/2026 - 06:00
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© Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
Pesquisa nacional aponta início precoce da vida sexual entre estudantes de 13 a 17 anos em Alagoas
Pesquisa nacional aponta início precoce da vida sexual entre estudantes de 13 a 17 anos em Alagoas

Em Alagoas, 39,1% dos adolescentes que já tiveram relação sexual iniciaram a vida sexual antes dos 13 anos de idade. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na quarta-feira, 25.

A pesquisa investiga comportamentos de saúde entre estudantes de 13 a 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas do país. Entre os adolescentes alagoanos que já tiveram relação sexual, a iniciação precoce é mais frequente entre meninos: 48,4% dos estudantes do sexo masculino disseram ter tido a primeira relação até os 13 anos; entre as meninas, o percentual é de 24,2%.

Considerando o conjunto dos estudantes de 13 a 17 anos, a idade média da primeira relação sexual em Alagoas é de 13,7 anos. Entre os meninos, a média é de 13,3 anos, enquanto entre as meninas é de 14,3 anos.

Segundo o relatório da pesquisa, o início da vida sexual é um fenômeno complexo, influenciado por diferentes fatores sociais e culturais. “A adolescência é marcada pelo início da vida sexual, sendo uma fase de descobertas e experimentações”, aponta o documento.

O levantamento destaca que não existe uma idade considerada ideal para iniciar a vida sexual, mas que a postergação desse início pode reduzir a exposição a riscos como infecções sexualmente transmissíveis (IST) e gravidez não planejada.

Uso de preservativo

Apesar da importância da proteção nas relações sexuais, os dados indicam que nem todos os adolescentes utilizam preservativo. Em Alagoas, 53,1% dos estudantes que já tiveram relação sexual afirmaram ter usado camisinha na última relação. A taxa é maior entre meninos (56,4%) do que entre meninas (47,8%).

Na primeira relação sexual, o percentual de uso de preservativo entre adolescentes do estado foi de 54,6%.

O preservativo é apontado por especialistas como um dos métodos mais eficazes para prevenir infecções sexualmente transmissíveis. Ainda assim, a própria pesquisa observa que “parcela significativa dos adolescentes não o utilizou na primeira relação sexual”.

Entre os estudantes de Alagoas que disseram ter usado camisinha na última relação sexual, a forma mais comum de obtenção foi a compra em farmácias ou lojas, citada por 30,8% dos adolescentes. Outros 25,7% conseguiram preservativos em serviços de saúde, enquanto 19,6% receberam do parceiro ou parceira.

A pesquisa também aponta que 9% obtiveram com amigos, 5,1% na escola, 5% com pais ou responsáveis e 4,4% por outros meios.

Gravidez e contracepção

Entre as adolescentes de 13 a 17 anos que já tiveram relação sexual em Alagoas, 8,6% afirmaram ter engravidado alguma vez na vida. A diferença entre redes de ensino é significativa: 9,4% nas escolas públicas e 2,4% nas escolas privadas.

O levantamento também investigou o uso da pílula do dia seguinte entre estudantes. No estado, 42,1% das adolescentes que já tiveram relação sexual disseram ter usado o método de contracepção de emergência alguma vez na vida.

Na maior parte dos casos, a pílula foi obtida em farmácias, citadas por 54,2% das adolescentes. Já 22,5% conseguiram o medicamento em serviços de saúde, percentual que, segundo o relatório, é o maior registrado entre os estados brasileiros.

Papel da escola

A pesquisa também avaliou o acesso a orientações sobre saúde sexual no ambiente escolar. Em Alagoas, 68,6% dos estudantes disseram ter recebido orientação na escola sobre HIV/AIDS ou outras infecções sexualmente transmissíveis.

Já 64,4% afirmaram ter recebido orientação sobre prevenção da gravidez, enquanto 50,6% disseram ter sido informados na escola sobre como obter preservativos gratuitamente.

Para os pesquisadores, a escola desempenha um papel central nesse processo. “A escola consiste em um importante espaço para a disseminação de informações e ações educativas em saúde voltadas para crianças e adolescentes”, aponta o relatório.

Ainda segundo o estudo, o acesso a informações sobre sexualidade e prevenção influencia diretamente decisões e comportamentos na juventude. “Grande parte dos comportamentos na adolescência irá permear as decisões e comportamentos na fase adulta”, destaca o documento.


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